Visando universalizar o acesso e a participação de alunos especiais nas classes comuns de ensino, o governo do estado de Minas Gerais implantou na rede pública de educação o Projeto Incluir. Em cada município do estado existe uma escola polo que ministra o Projeto. Nos municípios em que não existem escolas estaduais nas séries iniciais, foram escolhidas escolas da rede municipal para que a inclusão ocorra de fato em todo o estado.
Em Brasília de Minas a Escola Estadual Mestra Bila é polo do projeto. Na mesma existe a sala de recursos que é preparada para atender os alunos que portam necessidades especiais. Na sala de recursos os estudantes contam com uma professora especializada para trabalhar com pessoas com deficiências, além de equipamentos especiais que facilitam a aprendizagem. Estudantes da escola Mestra Bila e de outras escolas da rede pública são beneficiados.
Segundo a professora da sala de recursos, Maria José Rocha, a melhoria na educação desses alunos tem sido significativa. De acordo com ela, o Projeto tem agradado muito aos pais que estão sempre presentes nas reuniões e dando todo apoio para a continuidade do mesmo.
Foi com o objetivo de ampliar os conhecimentos acerca desse assunto que a escola Mestra Bila realizou, no dia 14 de novembro, na câmara municipal, um seminário. Com a presença de diversas autoridades, estudantes universitários e profissionais da área pedagógica, a educação inclusiva foi tema de apresentações, palestras e debates.
Segundo a diretora da escola Tânia Rodrigues da Silva, o seminário marca o início de um processo para que a proposta de inclusão se concretize. De acordo com ela é necessário que a sociedade se engaje no assunto para que os objetivos do projeto sejam alcançados.
"O fato da escola estadual Mestra Bila ser polo do Projeto Incluir não quer dizer que essa inclusão deva acontecer única e exclusivamente na escola Mestra Bila, não só as escolas, mas os órgãos e demais setores têm por obrigatoriedade oferecer condições para que a inclusão se processe efetivamente, e com qualidade. O seminário é como se fosse um despertar da sociedade, como um todo, para juntos estarmos trabalhando em prol da inclusão no nosso município". Diz a diretora.
Maura Rita de Souza, inspetora da Superintendência Regional de Ensino de Montes Claros palestrou no seminário sobre o "Histórico da Educação Inclusiva". Ela disse que ainda é preciso muito esforço para que essa educação aconteça de fato nesse pais, e para isso é necessário que tenhamos sensibilidade.
"O que é essencial para que a inclusão aconteça, é a sensibilidade das pessoas. Então esses momentos; como seminários, palestras; são exatamente para atingir o coração de cada um. Porque se nós conseguimos atingir o coração das pessoas, ai sim, nós vamos conseguir uma inclusão de fato". Disse.
Inclusão é um assunto complexo, pois envolve diversos fatores. Entre os pontos importantes a serem destacados nesse processo, estão a família, a sociedade, os órgãos federais e estaduais, além da vontade do próprio deficiente em querer se incluir. Antônia Aparecida da Silva, deficiente visual e coordenadora do Núcleo de Convivência do CAP - Centro de Atendimento à Pessoa Com Deficiência Visual de Montes Claros, disse que a força de vontade é fundamental para a pessoa se incluir na sociedade.
"Nós precisamos colocar na cabeça que somos pessoas como as outras, e que nós temos o direito de morar bem, de comer bem, de vestir bem, de ter acesso a computador e desfrutar de todas as maravilhas que o mundo oferece, que tudo a gente vai conquistar a partir do momento em que a gente decidir a lutar por essas conquistas, porque não adianta nada a sociedade querer e nós sermos passivos dentro de casa, esperando que as pessoas façam por a gente. Difícil é, mas se tiver o entusiasmo e vontade, a gente vai conseguir". Enfatiza.