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14/06/2009
População reclama de mau atendimento no Pronto Socorro do Hospital Municipal Senhora Sant’Ana
Fernando Almeida
Repórter
O pronto atendimento do Hospital Municipal Senhora Sant’Ana   de   Brasília  de Minas tem sido motivo de grandes reclamações da população. Segundo os pacientes, está existindo uma demora enorme para que algumas pessoas sejam atendidas pelo médico de plantão.

Recentemente o hospital implantou um programa de triagem em que o atendimento acontece de acordo com a classificação de risco. Os pacientes são classificados por cor. Após a triagem a pessoa que recebe a cor vermelha deve ser atendida imediatamente, para a cor laranja são 10 minutos, para a amarela 60 minutos, cor verde 120 minutos e cor azul 240 minutos.

Mas a grande reclamação é que o sistema não funciona corretamente. Pacientes que deveriam ser atendidos em poucos minutos, de acordo com a triagem, passam horas e horas a espera de uma consulta. O técnico de rádio Paulo Roberto classifica a situação como um tapa na cara da sociedade, ele disse que foi vítima de um programa mal implantado no hospital.

“Eu fui encaminhado por uma médica para o pronto socorro, eram dez horas da manhã e eles colocaram em mim uma pulseira amarela que indicava atendimento em  60  minutos e eu fiquei até às cinco horas da tarde e quando eu entrei o médico nem uma receita me passou, me falou que eu tomasse relaxante muscular, então eu creio que isso está acontecendo com outras pessoas, pois as reclamações de mau atendimento são muitas, nesse dia todos que estavam ali, estavam reclamando. Isso devia ser olhado pelo executivo ou pelo legislativo pra ver o que pode ser feito pelo povo, pois  isso é um tapa na cara da sociedade”, Diz.

Paulo Roberto disse ainda que a triagem é mal feita, pois da forma que ocorre, é praticamente o paciente que indica a sua classificação: “Eles nem colocaram um aparelho em mim, a enfermeira fez algumas perguntas e depois me perguntou quanto eu daria de um a dez ao meu caso, então ela mesma  não está  entendendo  o  caso  da gente em nada, o paciente fala um número e acaba se classificando sem saber qual a sua gravidade”, Reclama.

Dalva Maria de Jesus disse que chegou ao pronto socorro sentindo dores de cabeça e uma forte dor no peito, mas foi classificada como caso não urgente. Ela
Na peleja pelo atendimento: Pacientes passam horas e horas à espera de uma consulta médica no pronto socorro de Brasília de Minas.
Em  sala improvisada na apertada recepção do pronto socorro, pacientes passam pela triagem.
disse que não concorda em ficar esperando tanto tempo para ser atendida, pois foi encaminhada ao hospital por um médico que considerava a situação dela como um caso de maiores cuidados.

“Já tem umas três horas que eu estou esperando aqui. Como que eu estou sentindo fortes dores e eles falam que não é urgente. Eu passei mal a noite, não dormi e ai Dr. Getúlio me mandou pra cá e agora a menina disse que o meu  caso não  é  urgente,  esse atendimento está muito ruim, é preciso melhorar”, Diz Dalva.

O diretor do Hospital, Antônio Luiz Alves, disse que o Estado de Minas está implantando uma rede de urgência e emergência e dentro dessa rede existe a classificação de risco que tem como finalidade atender o paciente na hora certa. Ele enfatiza que isso não é um sistema do hospital de Brasília de Minas, mas sim do Estado. Antônio Luiz reconhece que o sistema tem sido falho para os casos menos  graves, o que segundo ele, são casos que deveriam ser resolvidos pelo programa saúde da família. Mas para os casos mais graves, o sistema tem sido eficiente, pois houve uma grande agilidade nos atendimentos de urgência e emergência.

De acordo com Antônio Luiz, além da carência do hospital, pois existe apenas um médico para o atendimento, a demora que está acontecendo, ocorre também por uma desinformação que ainda existe entre o hospital e os PSFs com relação ao sistema, pois o mesmo está em fase de implantação e os PSFs estão sendo preparados para também fazerem essa triagem e assim quando o médico da saúde da família não der conta de um caso, ele deve enviar o paciente ao hospital já com uma classificação que deve ser na cor vermelha ou laranja.

Segundo o diretor do hospital, a situação deve se normalizar assim que o sistema estiver mais bem estruturado: “Na verdade a gente iniciou esse programa agora, inclusive ele é manual, mas existe um programa que será implantado em junho que é todo informatizado, onde a pessoa chega e agente faz toda a triagem e o próprio sistema vai dar essa cor que determina o tempo em que o paciente vai ser atendido”,  Afirma Luiz.    
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“Está muito ruim, é preciso melhorar”.
Dalva Maria de Jesus
Sobre o atendimento do pronto socorro.