Essa fração de tempo, porém, sabemos nós, e muito mais o atleta é somente um detalhe do espetáculo. Esse tempo é um reflexo de muito tempo gasto, é resultado de um conjunto de fatores que levam a atingir o alvo.
Acredito ser este um momento propício para reflitamos sobre posturas muitas vezes deixadas de lado, que fazem a diferença na vida de qualquer indivíduo. De modo particular para nossa juventude, pois, tornou-se "moda", acreditar que chegaremos à vitória sem esforços, sem privações, sem dificuldades.
A atual cultura de facilidades do nosso século incutiu nessa geração um viver de faz-de-conta que infelizmente marca negativamente a nossa época. Grande parte da juventude sem perspectivas, sem vontade de gastar-se para construir uma vida digna, arrastam-se e esperam encontrar tudo pronto. A família, a escola e todos que se preocupam com educação podem, através das Olimpíadas, educar com muito diálogo, mostrando o que está por trás das imagens de heróis mostrados na mídia.
A face oculta do Podium pode ser de pessoas que começaram numa vida comum, muitas vezes marcada por dificuldades de diferentes naturezas, mas que superaram seus limites por meio da decisão de serem pessoas melhores. Como exemplo, o mito americano, Michel Phelps, que durante a escola primária foi diagnosticado um transtorno de déficit de atenção "Hiperatividade". Ele decidiu, provavelmente com apoio da família, mudar o foco e hoje é recordista de oito medalhas de ouro na natação.
Outra reflexão que podemos fazer é em relação ao modo como conduzimos a educação de alunos com diferentes dificuldades, considerados, "problema". Será que apostamos em um possível potencial ajudando-os a mudar o foco?
Convivemos diariamente com "Campeões incubados", que por ter encontrado tudo pronto viraram reféns do medo ou da preguiça, não se arriscam, não têm coragem de lutar porque não aprendeu a perder e ganhar, não dedicam horas ao estudo ou trabalho, porque foram educados para a comodidade do contentar se com o que vêm dos outros. Existem, também, outros tantos a quem foi negado o direito de sonhar em competir, porque os meios lhes são desfavoráveis. Não podemos esquecer as crianças, futuros recordistas, que se orientados enquanto há tempo, poderão ser medalhistas na aventura de viver...
Formarão uma nova geração que não tema em abster-se de algumas horas do seu lazer e alguns privilégios para dedicar-se e tornar bons profissionais, bons alunos, bons pais e mães de família, bons filhos, bons homens e mulheres e porque não? Bons atletas.