O clima de fim de ano, sempre nos remete a necessidade de maiores reflexões. Para muitos é tempo de parar, dar uma respirada e fazer novos planos, mas para a maioria é tempo de atividades mais intensas. Porém, mesmo em meio a toda correria é impossível não sermos contagiados pela magia que o natal e a passagem de ano exercem sobre todos nós.
Eu vejo o modo interessante com o qual nós acostumamos seguir a vida. Corremos a maioria das vezes sem sabermos aonde queremos chegar. Em meio à correria passamos pela vitrine da vida sem vislumbrar o que ela oferece de mais belo. Apressamos muito em dizer o que pensamos, quando não, dizemos muitas
coisas sem pensar sobre elas. Perdemos a capacidade de contemplação. E qualquer demora em um mesmo foco, remete-nos a idéia de perda de tempo.
Toda essa ideologia da rapidez, do imediatismo e efêmero, transforma a vida em um "fast food" que significa aquela comida rápida que comemos apenas para saciar nossa fome momentânea sem tempo de banquetearmos e degustarmos o seu sabor. Trocamos um prato requintado por um tira-gosto de boteco. Preferimos meia dúzia de palavras sem sentido em ritmo de "batida" a profundidade de uma canção que fale de sentimentos e nos faça refletir.
Tudo porque não temos tempo. E para onde corremos? Para o futuro?
Estamos sempre apressando o futuro, mas o grande problema disso tudo é que o futuro não existe. Ele só existe em nossa imaginação e nunca chegará. A única certeza que temos é do hoje. A vida é constituída de "hojes" que oportunizam-nos escrever a nossa história. Cada hoje que vivemos é uma pegada que constrói o que chamamos de passado, ao olharmos para trás.
E são exatamente as marcas que deixamos que dirão aos outros o que fomos nessa vida. A essas pegadas que chamamos de passado os outros chamam biografia ou história de vida.
Quanto mais tempo gastamos com o outro, quando mais profundamente nos relacionamos, quanto mais humanos somos, mais concretas e profundas se tornam as pegadas que marcam a nossa vida. Tudo que é muito superficial é fatalmente apagado.
Apesar da nossa incapacidade sobre o hoje que possivelmente virá amanhã, é impossível não fazermos planos. E se existe um plano que precisa concretizar em nossa vida é viver bem cada hoje. Pois essa é única maneira de tornarmos a vida menos efêmera.